Pular para o conteúdo principal

Precificação em Ponto de Função

Estou nessa de ponto de função a algum tempo. Não só participei de sua implantação, como hoje esta é a forma mais utilizada na Intacto para o controle de nossas métricas. Converso com muitos amigos, e muitos me questionam sobre algumas questões sobre pontos de função. A realidade é que sempre fui um cara de desenvolvimento, meu principal objetivo foi sempre transformar sonhos em código em execução. Utilizo a APF como forma de me auxiliar neste caminho, e discuto muito sobre ela com a minha equipe de forma que tenhamos transparência com relação a esta métrica.

Em um de meus posts anteriores falei sobre como a utilização de APF pode ser traiçoeira. E hoje venho aqui pra falar mais uma vez destes perigos. No caso de hoje é sobre a homegeinização que o pessoal de negócios tende a trazer sobre esta ferramenta. Houve-se muito no mercado sobre os preços de PF que algumas empresas praticam. Estes preços são utilizados por muitos "homens de negócio" para questionar seus custos e pressionar suas equipes. Mas aí que está o problema. Como dito anteriormente, a técnica de APF apenas lhe dará o tamanho do seu software. Tamanho não lhe diz tudo sobre custo, complexidade nem prazo.

Aqui temos um ponto importante, as empresas começam a utilizar a técnica de APF, obtem uma leve base de mercado e histórica e começam a substituir a antiga medida de homem-hora por PF. Aí que temos o erro, onde o uso falha, e não a técnica. Para mostrar isso um exemplo. Vou começar em como fracassar com a APF primeiro.

PF Fixo

Este é o exemplo clássico. Uma empresa, com base em informações de mercado, históricas e de custo determina um preço fixo ao seu ponto função, digamos 10,00 R$/PF. O custo da empresa é de 8,00 R$/PF, o que é uma boa margem aos "homens de negócio". A empresa consegue um projeto de um sistema de cadastro de clientes a este valor. Ao final do projeto chega-se a conclusão de que o custo finalizou em 10,00 R$/PF, levando a empresa a uma situação sem lucro. Sabiamente, os "homens de negócios" decidem pro aumentar o PF da empresa para 12,00 R$/PF. Novamente, a empresa consegue mais um sistema de cadastro de clientes. Ao final deste projeto, observa-se que o custo foi de 6,00 R$/PF. Os "Homens de negócio" ficam bem felizes, afinal, ao que tudo indica finalmente chegaram a um bom preço. Um novo sistema aparece sob o mesmo preço praticado anteriormente. Este sistema é para desenvolver um controle de documentos. Ao final do sistema descobre-se que o custo por PF foi de 15,00 R$/PF. Os "Homens de Negócio" ficam irritados, e se questionam o que deve ter ocorrido de errado.

Todos os valores e histórias são fictícias, mas podem ocorrer em uma empresa perto de você.

Conclusão

O que ocorrer neste caso é um caso clássico de mal uso da técnica de APF. Ao se decidir utilizar a técnica de APF não podemos tratar todos os casos da mesma maneira. Variáveis como:
  • Base Histórica
  • Entendimento do Negócio
  • Reuso
  • Riscos
  • Capacidade da Equipe
Dentre muitas outras devem ser consideradas neste caminho.
Ao meu entendimento, a melhor forma de se trabalhar com APF é baseada na experiência e na boa medida destas variáveis apresentadas. Se você está iniciando agora neste caminho, você deve partir de uma base que você conheça. Conte seus sistemas passados, faça uma pequena base histórica. Ao analisar um novo sistema, lembre-se da sua base histórica, verifique seus riscos envolvidos e quanto eles adicionam aos custos e considere-os em seus cálculos. Desta maneira vá evoluindo sua base histórica e sua experiência a cada caso.

Espero ter ajudado aos marinheiros de primeira viagem.

Comentários

Unknown disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse…
Fabrício, não tem muita gente "se atrevendo" a postar sobre como (não) usar APF. Além do post bacana, interessante e lastreado em experiências do mundo real, vale um ponto adicional pela coragem de postar a respeito sendo empresário de TI em Brasília.

Postagens mais visitadas deste blog

Suporte para NoteBook

Hoje em dia usar laptop é um hábito de muitos. Eu mesmo uso laptop diariamente desde 2005 e não tenho pretensões de usar um PC como ferramenta principal de trabalho tão cedo. A mobilidade a praticidade e principalmente a privacidade que o laptop te traz, foram fatores determinantes nesta minha escolha.
Porém como já me foi alertado pela nan, o laptop tem sérios problemas ergonômicos. Temos que escolher entre ter a melhor postura para digitar ou a melhor postura para visualizar a tela, nunca ambos ao mesmo tempo. Fora isto, o teclado da maioria dos notebooks não é adequado para longas horas de digitação. Sobre o touchpad, nem se fala. Por isso já fazem mais de 6 meses que eu utilizo um suporte de notebook com um mouse e teclado usb quando estou na Intacto. Isso melhorou bastante a minha postura e tenho sentido bons resultados com a experiência.
Hoje utilizo o Notepal S, mas ele tem a desvantagem de "esconder" os controle frontais do laptop, por isso, quem estiver interessado …

Suporte para Celular

É engraçado de se pensar que, em 3,5 anos de blog, o post mais acessado do site é o sobre o Suporte para Notebook. Sozinho ele tem quase 3 vezes mais acesso que o segundo colocado. Até hoje eu não sei dizer o por que deste efeito. Apesar disto me orgulho bastante daquele post, afinal além de ter superado minha falta de coordenação motora, ainda cheguei num resultado satisfatório. Já se passaram 2 anos e ambos os suportes se mostram em perfeito estado até hoje.

Pois bem, mas por que ressuscitar este assunto? Na Intacto temos um amigo oculto um pouco diferente, onde cada um tem que fazer seu presente, usando o máximo a sua criatividade. Como eu tirei o Fernando Aguiar, um cara fã de software livre (isso temos em comum). Por isso decidi tentar uma evolução do projeto inicial do Suporte de Notebook (que é aberto e disponível a todos) que elaborei junto ao Marcelo Bassani. Nesta segunda versão usei o Papel Pluma, que apesar de seu valor bem acima que o Paraná (usado anteriormente) resultou…

De Híbrido a 100% remoto - o caso da bxblue

A bx nasceu como uma empresa remota. Durante os primeiros 18 meses, os três fundadores --  eu, Guga e Roberto -- trabalhamos de nossas casas. Passado esse período inicial de maturação da idéia, nosso time começou a crescer, e acabamos optando por seguir um modelo híbrido. Nele tecnologia e marketing permaneceram remotos porém nosso time de atendimento e vendas ficou atrelado ao nosso escritório. Mas, como em muitas outras empresa, isso mudou nas últimas três semanas. Depois de tantos anos, nos tornamos uma empresa 100% remota. O O grande incentivo veio da situação que vivemos no mundo atualmente. Tendo o isolamento social como uma medida necessária a todos que tem o privilégio de poder fazê-lo, era nossa responsabilidade fazer tal mudança. Pois minha intenção aqui é contar um pouco tem sido essas 3 semanas que marcam o começo de um período que a ainda tem muito pela frente.
Porque Híbrido?Antes, deixe-me explicar por que escolhemos o caminho de ser uma empresa híbrida, tendo nascido re…