Débito Técnico vs Dívida Técnica

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Esta semana, em uma das equipes que faço parte, tive uma discussão sobre essa questão de simples nomenclatura. Para uns pode parecer mera "frescura" de nomenclatura, mas pra mim a diferença carrega uma grande carga semântica.

O termo em inglês é "Tecnical Debt", cunhado por Ward Cunningham, pai do conceito. E por mais que a escrita de debt seja bem similar a debit, àquele tem siguinificado bem diferente deste, bem como do seu falso amigo português-BR débito. Veja a definição de ambos:

debt: (noun) Something that is owed or that is bound to pay to or perform for another. A liability or obligation to pay or render something.
debit: (noun) The recording of an entry if debt in an account.

Soma ainda nisso, a discussão do termo proposta por Martin Fowler. Nele vemos que a metáfora está diretamente relacionada ao conceito de dívida financeira. Onde as decisões mal tomadas incorrem em prejuízos futuros, e esses só aumentam com o passar do tempo (cobrando juros).

Essa mudança semântica muda bastante o sentimento que devemos ter com esse tipo de risco de software. Já que o "débito" é algo que pagamos apenas uma vez (quando se cria) enquanto a "dívida" vai corroendo e cobrando cada vez mais do seu software. Essa analogia, força as equipes a olharem a dívida com mais frequencia minimizando a cobrança dos seus juros. Enquanto quem olha como débito pode esquecer dela como algo que aconteceu no passado e que podemos deixar passar.

Quem quiser ler uma pouco mais sobre o assunto, aconselho o livro Clean Code do Uncle Bob.

I'm a doctor

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Minha defesa de doutorado foi dia 15 de Dezembro do ano passado. Estava eu esperando para editar o vídeo e tudo mais, mas acho que depois de três meses fica claro que é melhor colocar esse conteúdo no mundo antes que ele vire um fóssil.



Ainda fico devendo uma reflexão sobre essa minha experiência, assim como eu fiz com o meu mestrado (e dado o quanto mudou desde o início desta jornada). Mas por hora deixo aqui o básico a quem interessar possa.




Fica faltando a publicação da tese, mas assim que o tiver atualizo o post.

Por fim, deixo na íntegra o agradecimento publicado junto a minha tese.

A tarefa de expressar a minha gratidão de forma completa a quem devo é tão difícil quanto provar que P=NP. Apesar deste trabalho possuir apenas um autor em sua definição, ele agrega a contribuição de uma vasta gama de contribuintes que vão muito além das citações e este humilde agradecimento. Soma-se ainda a este desafio o fato deste trabalho coroar o fim de uma trajetória iniciada ainda em 2002, com o início da minha vida acadêmica. É com todas estas dificuldades em mente que me arrisco na tarefa de agradecer, sem a pretensão de fazê-lo de forma completa.

Primeiramente coloco a minha gratidão a Deus. Verdadeiramente ubíquo e esteve sempre ao meu lado me guiando na montanha russa que tem sido o caminho até aqui.

Minha gratidão a Pah, quase co-autora responsável pela difícil tarefa de revisar meus textos. Sempre compreensiva e dedicada, me alimentando e suportando por todo esse tempo. Tamanha foi sua paciência que no inicio da jornada era apenas uma amiga e hoje é minha esposa e companheira pelo resto da vida. Agradeço ainda aos meus pais e irmãos que me deram suporte, sofreram juntos e me apoiaram, apesar das minhas recusas de explicar o que eu fazia afinal.

Agradeço à todos que fizeram parte do UnBiquitous, grupo que fundei e foi base deste trabalho. Primeiro aos meus orientadores Carla e Ricardo que em 2007 apostaram em um aluno desconhecido e por fim me carregaram pelos degraus da carreira acadêmica. A eles não só agradecimento, como também respeito e amizade. Não posso esquecer do Alê Gomes, pivô que me colocou nessa estrada ubíqua. Não fosse seu entusiasmo, minhas trilhas acadêmica e profissionais teriam sido bem diferentes. Além destes, tantos outros que contribuiram com a pesquisa e que me vem em memória : Estevão Passarinho, Marcelo Bassani, Ana Ozaki, Luciano Santos, Matheus Pimenta além de muitos outros. Destaque especial ao professor Tiago Barros, rebelde acadêmico e contribuinte por trazer uma visão prática e bela a minha pesquisa.

Não tem como esquecer meus sócios da Intacto e Qual Canal, que por mais que tenham sofrido com a minha escolha, no fim a suportaram. Em especial o Carlos Botelho, companheiro de Trabalho de Graduação e motivador para o meu início no programa. 

Agradeço ainda a UnB e o Departamento de Ciência da Computação. Após mais de uma década é impossível não ter um carinho especial pela instituição apesar de todos os seus problemas e discordâncias. Com destaque aos professores que marcaram meu caminho como Maria Emília, João Gondim e Alba Melo.

Por fim agradeço a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) pelo suporte financeiro fornecido ao longo desta pesquisa.

A quem quer que eu tenha esquecido que não fique ressentido, saiba que o espaço aqui é pouco mas a gratidão é ilimitada.


Carreira em TI

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Quem escolhe seguir o caminho da Tecnologia da Informação, escolhe uma estrada repleta das mais diversas opções. Muitos não tem noção de quão longe se extendem as possibilidades de atuação para tal profissional. Junto com o Rafael Miranda, tentei trazer para o papel algumas dicas e visões sobre essa realidade tentando ajudar as pessoas a experimentar mais o que se mostra a sua frente. Isso culminou na nossa apresentação no Agile Brazil deste ano.


Vou passar de maneira bem leve [e leviana] pelos principais pontos. Pra ficar mais palatável, eles se encontram divididos em dois grupos. Um em relação a Valores e Comportamentos e o outro sobre as Dimensões do Trabalho. Valores e comportamentos nos contam sobre a características internas e intrínssecas de você, tentando guiar nossas atitudes e objetivos. Já dimensões dizem respeito ao ambiente em que se escolhe inserir.

Valores e Comportamentos

Autonomia

Qual o grau de liberdade que você tem com relação ao seu trabalho? No mínimo que lhe é permitido escolher como fazer. Afinal, você faz o que faz por que sabe como deve ser feito. Aqui você define o melhor caminho para gerar suas saídas. Ganhando um pouco mais de autonomia, você passa a conseguir decidir o que fazer. Assim pode-se definir quais são os pontos mais importantes a serem resolvidos dentro de um problema ou projeto. Dessa forma, você já se vê capaz de definir quais são as saídas que fazem sentido pro seu trabalho. Por fim, se vẽ capaz de perguntar se vale a pena fazer. Será que este problema faz sentido? Será que este cliente é o mais adequado para a minha empresa? Agora você não não apenas se preocupa com suas saídas, mas também com as suas entradas e o propósito que elas carregam.

Responsabilidade

Quanto responsável você se sente pelo valor do seu trabalho? Você acredita que isso não cabe a você? Afinal quem define o valor do que está sendo realizado é seu chefe ou cliente. Vencendo um pouco essa barreira, você pode enxergar o valor naquilo que você faz. Sabe que o sue trabalho é uma parte de um todo e se concentra nele. Por fim, você entende a sua responsabilidade como um todo, vendo que o valor não se dá por você sozinho, e que você tem que se preocupar com os demais para garantir que aquilo que você faz alcance os resultados desejados.

Colaboração

Existe uma velha visão do desenvolvedor como o lobo solitário focado em seu trabalho. Ele recebe sua tarefa e a executa da melhor forma possível. Porém, a maior parte dos projetos envolvem mais pessoas. Neste caso e vale a pena evoluir e expandir seus horizontes para o time como um todo. Desta forma você verá a necessidade de ir além de suas tarefas e ajudar outros membros, enxergando o resultado conjunto. Forçando seus limites e indo além, você deixa de se restringir as fronteiras do time. Se necessário for, envolve agentes externos (clientes, departamentos, empresas) para se buscar o objetivo traçado.

Qualidade

Como você se sente com o produto final? Sua preocupação é se limita no que é visível? Não vê o valor naquilo que não se vê [de forma imediata]. Andando um pouco a frente, ovcê entende que tudo que foi pedido, da forma como foi pedido, é de valor. Muitos profissionais param aqui, como uma forma de defesa de sua responsabilidade. Mas quem consegue superar, busca sentir orgulho do que faz. Indo além do pedido e comprendendo o que realmente importa no seu trabalho.

Melhoria Contínua

Se você acha que a forma como você trabalha está bom, você se conformou com o que e como você realiza seu trabalho. Mas, se entende que é preciso estar constantemente aprimorando, você pode começar com passos mais seguros, um pouquinho de cada vez. Aceitando mudanças propostas, novas tecnologias e processos. Se começar a sentir uma vontade de correr riscos. Questionar aquilo que já está estabelecido e experimentar formas novas de se fazer varias de suas atividades, Colhendo assim ótimos frutos do seu trabalho.

Dimensões

Trabalho

Existem formas bem diversas de trabalho, as mais tradicionais incluem o espectro do Empregado e o Empregador. Ser empregado envolve acolher uma maior segurança em prol de uma maestria téncica. Já o empregador escolhe abraçar os riscos envolvidos em um negócio, a gestão de pessoas, em prol de ter uma visão completa do valor gerado. O Autônomo, busca um meio termo, possuindo a liberdade de se atuar com diversos negócios e valores ao passo que não tem pra si as responsabilidades de gerir um negócio.

Especialização

A corrente tradicional prega a famosa carreira em Y, onde a evolução profissional coloca ele na direção de ser um Gestor  ou um Especialista. Este é o profissional que domina com maestria uma técnica, área ou ferramenta sendo bastante eficiente e eficaz no que faz. Já o gestor é o profissional que saber guiar e nutrir equipes em direção a um objetivo comum (veja que eu fujo da definição de gerente). Mas nos últimos anos temos visto a ascenção do Generalista, profissional que caminha bem por diversas áreas sendo maleável nas mais diversas situações.

Área

Tradicionalmente temos três grandes mercados: Privado, Governo e Academia. Apesar de existirem grandes intersecções entre eles (seus objetivos e características) cada um possui facetas próprias. Generalizando de forma grosseira podemos dizer que: O mercado privado tem por objetivo a geração de valor econômico, levando a uma realidade mais agitada e demandante. Já o governo tem por objetivo o bem estar da sociedade*. Objetivo este que infelizmente é prejudicado pelos interesses que regem muitas das entidades, levando a uma realidade mais morosa e menos efetiva. Já a academia busca gerar novos conhecimentos, muitas vezes com foco maior no formalizmo. Isto leva muitas vezes a um descolamento entre o meio acadêmico com a sociedade e mercado.



Estes são, bem por alto, os pontos que apresentamos sobre a realidade de TI. Nem de longe são definitivos. E muito pelo contrário, estão aqui como um convite para críticas e sugestões. Considerem a discussão aberta.

Uma pergunta para melhorar seu legado

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Já falei aqui no blog, em outras ocasiões, acerca do meu trabalho em sistemas legados. Pois agora, após de acumular mais algumas experiências, discussões e refinamentos creio que cheguei em uma forma mais sucinta [mas não definitiva] de explicar a lógica que sigo. Tal raciocínio me levou a levantar esta questão no Agile Trends e Agile Brazil deste ano.


Na apresentação cobri diversos exemplos e consequências que derivam do raciocínio. Mas em todos eles existe uma idéia central guiando o processo. Uma pergunta, que ajuda a sumarizar como penso. É sobre ela que quero falar hoje.

Qual o menor passo sustentável que eu consigo executar agora.

Esta pergunta poder ser decomposta em quatro partes.

O menor passso

Sempre somos tentados a pensar na melhor solução. Nossa educação nos treinou a sempre buscar a resposta certa para as perguntas que nos são apresentadas. Porém nem toda pergunta nasce igual. Sendo assim, um mesmo problema [em software] pode ter soluções distintas, de acordo com seu contexto. Dar um passo menor consiste em não apenas quebrar o problema (e solução) em partes mais digestíveis. Mas entender que cada uma delas fornece pequenas dicas de que estamos indo na direção correta. Quanto menor, mais rápido conseguimos verificar e ajustar o curso.

Sustentável

Idealmente uma decisão sustentável seria aquela que não te causa problemas no futuro. Essa é uma tarefa difícil de se alcançar. Isso porque, toda linha de código que se constrói, enquanto resolve um problema, abre portas para uma infinidade de outros. Por isso, prefiro reconstruir a definição de sustentável como as decisões que você se sente confortável com as conseqüências no futuro. Isso implica em se pensar nos desdobramentos e estar ciente da dívida técnica (e negocial) que nossas decisões de software geram.

Eu consigo executar

Ter consciência de nossas limitações é importante. Por muitas vezes não temos o conhecimento ou domínio para executar nosso melhor plano. Entender essa limitação e decidir como ela influencia o caminho a ser seguido. Qual o custo de se adiquirir essa capacidade em relação as necessidades do projeto?

Agora

Por fim, é importante ter em mente durante a tomada de decisão, não somente o que queremos pro sistema no futuro. É rpeciso balancear suas necessidades baseando-se também no agora. Nada adianta decidirmos a melhor solução [sustentável] se a mesma só estará disponível depois de uma capacitação de seis meses, quando a necessidade do negócio é para o mês seguinte. Temos que balancear nossas decisões e planos com o que nos é apresentado no presente e construir o caminho a partir daí.




Como exemplos de extratégias de como melhorar seu legado indico os artigos do Marting Fowler sobre Sacrificial ArchitectureStrangler Application .

Trabalhando Remoto

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Já são mais de 3 anos que quase a totalidade do meu trabalho ocorre de forma remota. O que começou por necessidade, já que a nossa equipe estava se espalhando por várias cidades e países, acabou virando um hábito. Hoje, esse modo é parte integral de como funciona meu dia a dia.

Nesse tempo tenho cada vez mais conhecido pessoas que vivem essa mesma realidade. Em especial, neste mês de outubro, tenho me encontrado com alguns amigos da cidade que ou já vivem ou estão começando a viver remotamente. Por isso achei válido colocar aqui alguns aprendizados, dicas e opiniões sobre esse universo.


Domínio do seu tempo

Para mim a maior vantagem do trabalho remoto vem controle que você tem do seu tempo. Eliminar o desperdício que existe nos deslocamentos do dia, por si só já é uma imensa vantagem. Com mais espaço na sua agenda, sobra para você investir na família, evolução pessoal e profissional, outros projetos e diversão.

Mas isso não vem sem um custo. Maior disponibilidade exige alguns esforços e controles maiores de agora que não existe o suporte que um ambiente tradicional de trabalho fornece.  São coisas que você não notava, mas começa a perceber agora que sua realidade muda. Veja alguns principais.

Controle sua Atenção

A primeira grande dificuldade da maioria dos remotos (quem trabalha remotamente) e saber onde focar. Veja que eu uso a palabra atenção e não "tempo de trabalho". Isso pois, de fato, é de atenção que você realmente precisa. Ignore o fato que a sua remuneração provavelmente esteja atrelada a horas (minhas críticas a este modelo ficam pra mais tarde) pois remotamente, mais que nunca, o que se ressalta é gerar resultados.

Ser produtivo envolve fugir do Netflix e PlayStation a dois passos de distância. Se sua força de vontade é fraca, você terá problemas, Não existe seus colegas a sua volta para dizer que você devia estar trabalhando em vez te ter ficado uma hora vendo vídeo no Youtube.

Para a maioria dos remotos a forma mais fácil criar de uma rotina ou hábitos. São formas de informar pro seu cérebro que o dia começou e não está mais em "modo de descanço" e sim em "modo de produção". Para alguns tomar um banho já serve, alguns é iniciar um cronômetro, já outros precisam de trocar de ambiente (ir para um escritório na casa ou espaço de co-working).

No final das contas trabalho remoto é para pessoas responsáveis. Você deve assumir a tarefa de experimentar e descobrir o que funciona no seu caso.

Controle suas Tarefas

Se antigamente seu chefe só se preocupava com seu relatório de horas, bastava garantir que sua bunda estava na cadeira todo dia para que muitos dos seus problemas se resolvesse. Agora que seu chefe não consegue te ver todo o dia o dia todo, isso acabou. Sua produtividade é percebida agora em cima de quanto você controla o tem sido feito e o que há por fazer. Não pelo mero prazer de metrificar seu trabalho, mas por trazer mais visibilidade de quando tudo está indo bem ou quando as coisas estão travadas.

Controlar suas tarefas vai do tipo de projeto e de equipe em que você está inserido. Quando sozinho, uma lista de tarefas em papel ou online (Google Keep ou evernote) pode bastar. Trabalhando com mais gente? Hora de experimentar outras ferramentas. Já trabalhei com Trello, lista de issues no GitHub e até planilhas no Google Docs.

Trabalho remoto é medido (ou seria melhor dizer percebido?) pela quanto você avança e não por quanto tempo você gasta. É você quem controla o fluxo de como as coisas evoluem do seu lado.


Controle sua Comunicação

A solidão aflige muitos remotos. Por isso que muitos buscam se reunir, frequentam espaços de co-working e cafés. Mas essa é apenas uma das dimensões da sua socialização, afinal, temos ainda a sua equipe. Comunicar-se com eles é essencial para o bom andamento do projeto, principalmente agora que não exsite mais o canal subliminar do contato pessoal diário.

Pra começar, deve existirpelo menos um canal de comunicação da equipe. Um local onde todos podem ir para se encontrar e conversar sobre o projeto (e de preferência ir além disso). Quando comecei usávamos email e um grupo do Google Hangouts, depois fomos para o Campfire. Hoje o Slack tem sido rei neste sentido, suas integrações ajudam a deixar tudo centralizado e organizado (fora a minha paixão por gifs e memes). Para conversas e reuniões já usei de tudo : Skype, Hangouts, Appear, Bluejeans, etc (o que estivesse funcionando no momento).

Mas comunicação não é só ferramenta, como 99% da sua comunicação será escrita é bom prestar mais atenção. Primeiro escolher para onde você está direcionando sua mensagem. Se o assunto é uma funcionalidade, talvez o melhor lugar é a issue do github, já que ficará registrado. Se é uma dúvida pessoal, uma mensagem no whatzapp. Um link ou discussão interessante cabe mais no Slack. Além disso, é bom ser claro na mensagem, anexar arquivos e imagens relevantes.

Trabalho remoto não implica em se tornar um monge isolado no alto da montanha. Comunicação se torna ainda mais importante quando não podemos nos ver cara a cara e confiar na "leitura corporal", então se expresse bem e bastante.


Amarrando tudo

Ser um remoto tem não só me economizado tempo (e gasolina) como me tornado um profissional melhor. O código dos projetos são mais vistos, já que toda mudança é notificada e visível por toda a equipe. Comentários e documentação são mais claros, já que é a forma padrão de nos entendermos. Cada vez mais empresas tem experimentado estes benefícios e gostado dos resultados, então essa realidade só tem a crescer. Claro que deixei de fora alguns benefícios e dificuldades. Mas para mim, esses são os principais.  E você, quais são as suas dificuldades e truques ?

Dicas do Mercado de TI no Brasil

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Já fazem mais de dois meses que reuni um time top de amigos para trocar uma idéia online. Essa galera incluia o Saulo Arruda da Jera, Rafael Miranda da HE:Labs, Daniel Wildt da Wildtech e Dairton Bassi, e esse que vos escreve, somando uma vasta experiência no mercado brasileiro de TI. A idéia consistia em discutir um ponto que me incomoda muito nas minhas andanças pelo país: a visão de que o mercado só existe no sudeste. Se quiser conferir o papo na íntegra, vale a pena o play abaixo.


Esse é um tema que me cativa muito, pois acredito fortemente que a nossa área de trabalho vive um momento bastante singular. Existe uma demanda reprimida dos mais diversos mercados sedentos por profissionais capacitados. Mais que isso, somos agraciados pela maravilha de podermos produzir nossos trabalho de qualquer lugar do planeta, desde que exista acesso a internet. O que torna a necesidade de nos deslocarmos fisicamente algo irrelevante para a maioria dos casos.

No fim a conversa acabou sendo bem mais produtiva do que esperado, portanto vou tentar resumir aqui algumas dicas que deixamos para quem nos ouviu até o final.

1 - Tem lugar pra todo mundo

O mercado é amplo demais, temos espaço para atuar no governo, academia e setor privado. Podemos trabalhar nas mais diversas verticais: educação, finanças, agropecuária, mídias sociais, jogos. Os perfis e especializações são igualmente vastos: front-end, back-end, full-stack, big data, open data. As opções do menu são tantas que deixaria Gordon Ramsay furioso. Sendo assim, quem acha que está limitado dentro da carreira, já pode motar existe muita água para velejar.  Aproveite enquanto o vento está forte e o sol agradável.

2 - Faça algo

Graduações, cursos, livros, podcasts ajudam muito a você avançar com seu conhecimento, mas o que vale de verdade é a sua experiência. De nada vale saber todos os Design Patterns, dominar toda a Stack Rails se você não tiver as cicatrizes colecionadas durante as batalhas da produção de um produto de software. E a barreira de entrada para você começar a acumular as suas é mínima. Você não precisa da autorização de ninguém para iniciar seus próprios projetos. Se não tem idéia, você pode ajudar outros com os deles ou mesmo tomar parte em projetos open source. As oportunidades estão aí, basta buscá-las.

3 - Invista em habilidades "não técnicas"

A era do profissional isolado já se foi a muito tempo, não basta você ser apenas um bom técnico é importante interagir com os demais, trabalhar em equipe. Mais que isso, é importante enxergar além do seu próprio trabalho e compreender o cenário geral onde você se encaixa. O bom profissional se questiona do valor que está gerando com seu esforço, ele opina, critica e empurra as fronteiras ao seu redor.

4 - Arrisque e experimente

Com tantas opções e tanta abertura ficar parado parece até uma impossibilidade. Experimente novas técnicas, utilize novas ferramentas, assuma novos papéis. Aproveite as oportunidades para ampliar suas habilidades e horizontes e abrir novas portas.

5 - Tenha o controle da sua carreira

Não importa se você é freela, empresário, empregado ou servidor, a responsabilidade sobre a sua carreira é sua. Não delegue seu futuro, suas decisões e sua felicidade nas mãos de outro. Tome as rédeas e participe. Aproveite essas dicas, encontre os canais onde você pode aplicá-las e passe a pilotar o seu caminho.

Bônus - Não existe solução certa

Por fim, veio uma lição muito importante compartilhada por todos. Nossa educação nos ensina que sempre existe uma resposta certa. Aprendemos a estudar bastante, para conhecer o método correto, e então encontrar a solução ótima para cada problema. No mundo real, infelizmente, muitas vezes tal solução está fora do nosso alcance, ou mesmo inexiste. O bom profissional sabe pesar o quanto vale se esforçar em busca desta figura mítica e analisar o contexto para encontrar aquilo que melhor se aplica para cada caso.


Até a próxima.

Sou um Cyborg

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Duas semanas atrás vivi uma realidade que levaria muitos a perder os cabelos - meu celular morreu. Ele descarrregou na manhã da segunda feira. Isso resumiu o restante do meu dia a inúmeras de tentativas frustradas de trazê-lo de volta ao mundo dos vivos. Durante um período de pouco mais que seis horas o movimento invonluntário de verificar se tinha recebido alguma notificação se repetiu por inúmeras vezes, encontrando como resposta apenas o vidro negro refletindo minha expressão tristonha.

Mas nada temam, Ao final do mesmo dia voltei a usar meu velho Nexus One¹, voltando do exílio para me ajudar até chegar uma alternativa definitiva.

Quem lê esse relato deve imaginar que eu não consigo me descontectar. Na realidade, comigo ocorre algo mais distante disso, já que me policio bastante acerca das interupções provocadas pela rede no meu dia a dia. Não recebo notificações de Whatzapp diretamente, meu email é verificado apenas algumas vezes por dia e nas minhas viagens eu abandono, quase que por completo, o uso da rede.

Mas se é assim, por que essa perda me causou tanto incômodo se eu consigo me distanciar tão facilmente? Acredito que a resposta esteja em meus hábitos e nas minhas expectativas. Durante um dia normal da semana meu cérebro já está condicionado a receber notificações da família, amigos e projetos. Estar longe disso traduz em mudar a forma como eu entendo que um dia deve ocorrer. Dazendo com que a minha mente comece a trabalhar pessado em buscar de alternativas (a um custo maior da minha atenção).

Outro exemplo deste tipo de ocorrência eu vivo periódicamente no meu hábito de praticar a corrida. A seis anos atrás quando comecei eu simplesmente vestia o tênis e saia para a pista. Com o tempo me habituei ao Ipod, e em seguida ao celular. Neste tempo, por algumas vezes, perdi a vontade de sair pra correr pelo simples fato do celular estar sem bateria. Isso, mesmo apesar, deste ser o recurso menos necessário para a atividade. Mas estando ele já inserido naquela rotina, fica difício dissociá-lo como requerido para tal.

Essas expectativas agem em diversas partes da nossa vida, seja no trabalho ou em ocasiões pessoais. Nós acabamos por esperar as benesses que os "mimos" tecnológicos nos trazem, e quando esses falham, nós não sabemos o que fazer.

E você? O que você não consegue fazer sem a tecnologia hoje?

¹ Rodando "apenas" apps rodando, quase me deu vontade de não abandonar meu N1 e suas 20h de bateria durante o dia.